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O dinheiro (o papel-moeda)  em si mesmo não tem características morais que o classifiquem como bom ou mal, sendo apenas uma invenção humana com o objetivo de facilitar as trocas de  mercadorias na vida em sociedade. Como uma espécie de “referência universal” para todas as outras mercadorias, o próprio dinheiro acabou se tornando “a mercadoria universal”. Com a flexibilidade comercial que o papel-moeda proporcionou ao trazer consigo a capacidade e comodidade de poder ser trocado por toda e qualquer outra coisa do mundo, o próprio dinheiro acabou se tornando “o grande bem” mais desejado. Pregadores capitalistas de uma realidade inatingível proclamavam que, embora a abundância não tivesse alcançado a todos os homens, a liberdade de cada indivíduo para buscar a satisfação de seus interesses particulares e a liberdade de cada empresa para encontrar o caminho para obter o máximo de lucro com seus investimentos iriam nos conduzir ao paraíso do consumo sempre ampliado, “objetivo último da realização do ser humano”. Durante muito tempo foi transmitida a ideia de que somente o conceito do “livre mercado” poderia assegurar o crescimento continuado da humanidade. Nada de regras inibidoras, nada de limites e controles estatais, a ideia era basicamente que todos lutassem pela sua própria vida e que, segundo sua própria capacidade, cada um chegasse ao seu próprio primeiro milhão. Essa é, de forma resumida e grosseira, a história do “mundo desenvolvido” a que chegamos. A Bíblia tem muito o que dizer a respeito do dinheiro e da nossa relação com ele. Infelizmente, porém, como sempre aconteceu na história, a cultura e os costumes dos povos conseguiram sufocar a verdade bíblica sobre a prosperidade saudável que Deus gostaria que experimentássemos.  Muito da realidade cristã que vivemos hoje é praticamente uma versão enlatada do “cristianismo capitalista” que veio se formando desde os primórdios do surgimento da própria Europa. De lá pra cá, sem um fundamento firmemente bíblico, temos oscilado entre os extremos dos “votos de pobreza” à ostentação e vaidade da realização do “sonho americano cristianizado”. Paulo com sua santa implicância doutrinária nunca deixou de avisar a quem quisesse ouvir: “Quem nada entende tem mania por questões e contendas de palavras que só geram inveja, provocação, difamação, suspeitas malignas…” E se você gostaria de saber o porquê de Paulo dizer que tais homens enfatuados geravam inveja nos outros e os provocavam com suas declarações (mesmo que não conseguissem fugir das difamações e das suspeitas que caíam sobre eles) é porque estes tais “de mente pervertida, supunham que serem santos e piedosos lhes daria muito lucro financeiro” (1 Timóteo 6.3-5). A verdade a respeito do assunto continua tão verdadeira hoje quanto o foi naquela época: “A piedade, é sim, fonte de lucro; desde que tenhamos a alegria de simplesmente vivê-la” (1 Timóteo 6.6). Aqui neste contexto específico, o lucro, no ponto de vista de Paulo, é espiritual e não carnal. E para os que acham que a explicação ainda é insuficiente, aí vem o resto: “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1 Timóteo 6.7,8). Lembra quando ele disse que a piedade era lucrativa se estivéssemos contentes? Pois é, é isso mesmo que ele está dizendo: o lucro da piedade é poder viver contente em toda e qualquer situação! Sabiamente diria Paulo em 1 Timóteo 6.9-10: Os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada; O amor do dinheiro é raiz de todos os males; Nessa cobiça, alguns se desviaram da fé. Muitos já aprenderam que o dinheiro NÃO É a raiz de todos os males, mas um grande número de evangélicos talvez sequer tenha ouvido a primeira vez que o amor do dinheiro AINDA É A RAIZ DE TODOS OS MALES. Não há dúvidas de que usar o dinheiro para o bem é uma coisa boa, mas não pregar sobre os perigos e armadilhas de amá-lo é uma coisa muito ruim!

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